A crise da representação política não é privilégio do Brasil, mas um fenômeno mundial, decorrente do choque entre os interesses da sociedade e as burocracias partidárias, zelosas de manter privilégios, enquanto as questões coletivas são relegadas. Ao mesmo tempo, pipocam os escândalos da mídia, banalizando a corrupção, por conta da privatização da atividade política, relegada a condição de show midiático, monitorado pelas agências de publicidade e por institutos de opinião pública.
Seria ótimo que os políticos, de todos os partidos, fossem virtuosos, mas o que a cidadania precisa é de meios efetivos de controle, impessoais e institucionalizados, sobre as estruturas que ordenam a alocação e o uso dos recursos públicos, e essa transparência tem que começar dentro dos partidos políticos.
Esses recursos começam um círculo vicioso dentro dos próprios partidos - episódios recentes o comprovam - e é neles que temos que começar a reforma política, não somente discutindo o financiamento público das campanhas, mas a urgência de se remodelar o lado financeiro do funcionamento dos partidos e modernizar seu relacionamento com seus filiados, com os eleitores e com o povo em geral.
É por aí que deve começar a tão falada "reforma política".
Apesar do elevado índice de exclusão digital nas regiões mais pobres, como por exemplo, a América Latina, em que se inclui o Brasil, a informática inevitavelmente influirá nos sistemas político-eleitorais, sem prejuízo das organizações partidárias, que deverão adequar-se às novas tecnologias, sob pena de não sobreviverem.
A participação é um direito que já está assegurado a todos os filiados e deve se refletir na internet sem se limitar à simples divulgação de dados, começando pelo orçamento, sua formulação e execução.
Somente começando a participação no debate sobre as questões orçamentárias dentro dos próprios partidos será possível quebrar as estruturas viciadas que favorecem o clientelismo e a corrupção, desviam recursos públicos para mãos privadas e perpetuam as injustiças.
Como os comitês e conselhos do partido reportam suas atividades ? Como podem relatar suas ações, para mostrar o que estão fazendo ?
Um endereço eletrônico desenvolvido para proporcionar o debate e direito ao voto à distância - sem a obrigatoriedade de presença no local da assembléia - com prévio cadastramento e confirmação do sistema (log-in e senha); com o fácil acesso à documentação pertinente às deliberações das assembléias; contando com um fórum para prévia discussão dos temas entre os votantes e candidatos, quando for o caso de eleições internas; podendo ser aberto ao público, que também poderá acompanhar o evento remotamente, por webcam; além de propiciar um ambiente em que todos possam comentar e acompanhar o evento, com transparência e eqüidade de tratamento, traria uma inovação e tanto no funcionamento dessas entidades, reduziria muitíssimo o custo de participação nas assembléias, permitiria o detalhamento da pauta dos encontros, como também a sugestão de temas que nela devam ser incluídos, estreitando o relacionamento entre os filiados e viabilizando o surgimento de novas lideranças.
Para não ficar só na proposta e considerando a amplitude das alterações estatutárias que seriam necessárias, criei um grupo de estudos para convocar os interessados a se envolverem e ajudarem a desenvolver a idéia e a advogar o aperfeiçoamento dos partidos políticos. Basta ter uma conta no Google (serve Orkut, Gmail etc).
As pessoas querem ser virtuosas e esta é a razão da existência de um partido político: querer fazer as coisas que são certas, da maneira certa, pelas razões certas e precisamos nos assegurar que ele nos auxilie ao invés de ser a causa de todo o mal.