A opinião pública e alguns partidos de oposição exigem a renúncia imediata do Senador José Sarney da Presidência do Senado, em nome da ética e da moralidade parlamentar. Sarney nomeou uma constelação de amigos e parentes para cargos públicos comissionados sem o menor pudor ao erário e respeito aos contribuintes. Os amigos do rei são entronizados nos cargos como um sistema patrimonial, ocupando os espaços na administração pública como um negócio a explorar e a dividir com os seus correligionário.
Neste caso e em tantos outros a opinião pública está coberta de razão, mas quanto aos partidos políticos, na verdade é pura demagogia e hipocrisia. Vários parlamentares, com algumas exceções, adotam como prática a nomeação de parentes e amigos para os cargos comissionados, chegando inclusive, de acordo com os noticiários, a confiscar parte dos salários destes para o caixa dois.
Observa-se claramente que em todas as eleições ocorre uma renovação significativa do quadro de parlamentares nas diversas casas, mas a prática é a mesma, ou seja, mudam-se apenas os personagens. O PPS não pode compactuar com essa drenagem de recursos para atender aos amigos do rei; é preciso romper com esse costume e hábito tão danoso aos cofres públicos e lutar pela moralidade na vida pública, exigindo o fim dos cargos comissionados. Acabar com a farra dos apadrinhamentos políticos em todads as esferas do poder público é um princípio ético. Não podemos ignorar os fatos que acontecem ao nosso redor, pois hoje crucificamos, amanhã seremos os crucificados.