E-mail: Senha:
Esqueceu sua senha?
Clique para se cadastrar

Apresentação O Evento Apoio aos Diretórios Dicas do Congresso Sala de Imprensa Teses Temas para debate

Indique seu tema

Desafios do Desenvolvimento

RSS
O desafio do desenvolvimento social e econômico
09/09/2010
DF
5
pontos
Gostei
Propostas possíveis – Um rascunho de provocação
É possível parir de nosso debate conceitual e chegar em propostas concretas?

O texto ai já estava pronto tem algum tempo. Estava em dúvida se apresentava ou não. O Anderson ter apresentado uma outra proposta neste estilo de proposta objetiva no Portal de debates do Congresso me animou. Talvez mais importante que a proposta sejam as alegações queme levaram a ela Então ai vai....

O espaço de nosso debate atual exige um conjunto de definições que vem sendo postergadas já de muitos anos.

Muitos passos foram dados: A crítica do socialismo real, o reconhecimento da luta pela transformação e pelas mudanças na sociedade dentro dos marcos da democracia, a percepção que esta nova proposta implica em buscar aqui e agora o poder no Estado que existe e que as transformações e mudanças só serão permanentes de contarem com o apoio da ampla maioria de sociedade. Não mais deuses, profetas ou hegemonia da vanguarda revolucionária.

Mas se avançamos, avançamos à céu aberto e o contencioso é grande: A proposta socialista fala de simetria de oportunidades ou simetria de qualidade de vida? A participação no Estado aqui e agora é viável sem que assumamos as mesma posturas apropriativas e manipulatórias visando a permanência no poder? O Estado que queremos e imaginamos necessário para a condução de nossos projetos curtos ou longos é este? Qual modelo de desenvolvimento é compatível com nossas propostas mais amplas de democratização do Estado, sustentabilidade e preservação do meio-ambiente?

O problema deste contencioso é que poderemos travar nossos debates nos próximos 100 anos se não tivermos a ousadia e a coragem de já agora apresentar propostas estruturantes e que correspondam às linhas gerais de nosso pensamento.

Não existe projeto de poder possível sem um conjunto de propostas exeqüíveis e reais. O fracasso do projeto petista de transformação da sociedade brasileira deixou isto muito claro. Por não ter modelos concretos, mas apenas conceitos o projeto petista acabou sendo substituído pelo conservadorismo esclarecido. De projeto de transformação do poder real passou a projeto de manutenção do status-quo. Daí a falência de estrutura republicana participativa.

A desorientação de boa parte da esquerda brasileira está fundada na inexistência de qualquer debate mais aprofundado sobre o papel do Estado e as transformações de poderão mover nosso presente e reorientar nosso futuro. Atolada num semi-simpatia confusa com o Lulismo, ora satisfeita, ora envergonhada, é incapaz de produzir propostas que possam ir além do que já existe. A esquerda brasileira derrotou a si própria e agoniza na sua quase totalidade na armadilha, já historicamente conhecida, do populismo.

Neste preciso momento se não formos capazes, nós mesmos, de irmos além dos conceitos e colocar na mesa de negociação propostas concretas nosso papel neste processo estará já resolvido e da pior forma.

Não temos pernas, muito menos braços, e deveríamos nos concentrar de alguns modelos que correspondam ao conjunto mais preciso de nossas proposições para o Estado e a gestão pública. O detalhe é que estes modelos também deveriam indicar com clareza o papel do partido nestes processos. Do contrário o que teremos serão modelos de ação onde o partido irá alavancar pessoas e não projetos e idéias. 

É nisto que o modelo adotado na região de Sainte Etienné, a Cidade do Design, tem a capacidade de ser orientador para nós e pode servir de referencial. Ele trabalha com as variáveis importantes de nosso debate conceitual e, pelo menos até aqui, aceitas como coerentes e pacíficas. É um modelo de capacidade  estruturante e funciona com centro de um processo de difusão não apenas de saberes, mas de um conceito de economia sustentável, de aplicação de tecnologia de ponta e compatível com a preservação ambiental.

O que apresentamos abaixo caminha dentro desta lógica. Refere-se especificamente ao Centro-Oeste, mas pode ser aplicável às outras regiões do país:

 

Foco – O cerrado e o aqüífero.

Abaixo do cerrado estão os aqüíferos. O maio deles é o Guarani. Também a maior reserva de águas conhecida no planeta. A ocupação econômica do cerrado tem se dado de forma anárquica e desvinculada de qualquer compromisso de preservação ambiental. O progresso econômico trazido pela produção no campo tem silenciado a maioria das vozes de uma população que tem neste progresso seu sustento. É um jogo do presente contra o futuro. De certa forma a urbanização acelerada da região acaba contribuindo para manter o atual status, já que as cidades, enquanto estrutura urbana, ignoram o meio ambiente. Mesmo Brasília, tida como uma cidade-verde, é na realidade

cidade-das- plantas-exóticas, olhem para os imensos gramados, inadaptadas e inadaptáveis aos ciclos naturais. O verde de Brasília engana e esconde o problema. A cidade pode ser uma “ilha da fantasia” em diversos sentidos. A questão, então,  é a manutenção não apenas do cerrado, mas dos aqüíferos, que sem o cerrado desaparecerão. A natureza necessitou de 35 milhões de anos para criá-los, mas podemos destruí-los muito rapidamente.

 

Núcleo da proposta – biotecnologia.

O investimento na biotecnologia do cerrado pode ser a saída para uma economia sustentável e compromissada com a questão ambiental.

A região Centro-Oeste tem diversos centros de excelência na pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos. Existem inúmeras instituições e empresas investindo no segmento. O desafio é transformar esta tecnologia em geradora de emprego.

O que falta é um macro-projeto regional que amarre as diversas cadeias, P&D, produção primária, beneficiamento e comercialização e que consiga trazer para a região uma alternativa de desenvolvimento econômica baseada nos paradigmas que hoje defendemos. O desafio que Juscelino se colocou na década de 50 era o da eletrificação e industrialização. Hoje fica claro que não se trata apenas disto. É preciso ir além.

 

Macro-projeto regional.

Criar no Centro-Oeste uma agência público-privada, com a participação das gestões estaduais, municipais, legislativos, instituições de P&D, empresas privadas e sociedade civil organizada, voltada para a aplicação econômica de biotecnologia e capaz de coordenar as diversas cadeias por dentro e entre elas. Criar um fundo específico para investimento em biotecnologia, centralizando nele todos os recursos específicos dos três níveis federativos. Seriam quatro grandes coordenações:

P&D público e privado

Produção primária

Beneficiamento

Comercialização.

O modelo burocrático ainda teria que ser estabelecido, mas é evidente que estas coordenações deveriam falar entre si e a finalidade do projeto seriam processos e produtos viáveis economicamente. Também é evidente que a P&D fica no topo da cadeia, mas as outras são tão importantes quanto ela. A tentativa é criar um modelo de corte transversal que alcance todos os segmentos envolvidos.

 

Papel do partido.

O partido teria um papel a ser desempenhado?

Teria sim e começaria por inscrever a idéia em todas as propostas de programa de governo nos estados do Centro-Oeste.

Poderíamos ir além e formar um pacto de ação entre todas as direções estaduais da região, formando um único grupo de trabalho para debater e desenvolver a proposta.

Não será um debate fácil, pois os interesses envolvidos são inúmeros e contraditórios, mas será a forma de sinalizarmos para a sociedade mais que idéias um projeto coerente com os conceitos que hoje defendemos.

 

Uma observação final sobre a burocracia.

Evidentemente um projeto desta envergadura apresenta problemas organizacionais até mesmo na sua elaboração, mas se não formas capazes de avançar neste terreno o que nos faz acreditar que seremos capazes  de levar à frente outros desafios inovadores e transformadores?

 

Demetrio Carneiro

0 Comentario(s)


Para poder fazer seu comentario, cadastre-se!
Fale conosco




Twitter Updates

    Siga o PPS no Twitter

    Mais lidas

    Mais aplaudidos

    Mais polemicas