Por um Partido Democrático.
Jorge Rocha Jr.
Hoje no PPS o pensamento divergente, o argumento contrário são prontamente classificados por alguns como "falsa polêmica ou crise de identidade". Algumas discussões são minimizadas ou até mesmo negligenciadas por serem consideradas subjetivas.
Para àqueles que bloqueiam o debate a partir desse ponto de vista, politicamente reducionista, essas discussões são irrelevantes, pois não conduziriam o Partido no sentido de torná-lo forte e eficaz na sua ação política construtiva e propositiva. O que é um contra-senso, pois o Partido cresce no debate. Cresce discutindo táticas e estratégias propositivas, que apontem rumos e direção que devemos seguir. E não é negando, fugindo dos debates. Com tentativas de querer descredenciar companheiros, que nosso partido vai crescer. Antes daquele "Diálogo Nacional" deve existir o diálogo/respeito interno.
Deve-se discutir, exaustivamente, temas relevantes para nosso partido: Somos socialistas? Somos de esquerda? Esquecemos nossas tradições laicas, democráticas? Radicalidade Democrática existe? Acreditamos no Poder Local? Em que acreditamos? O que defendemos? Fazemos política da afirmação? Ou da negação? Do diálogo amplo? Enfim, o que somos e o que queremos?
Debater com a sociedade
Em agosto de 2007 realizamos um grande e bonito debate, com a Conferência Caio Prado Junior, mas não apresentamos nenhum resultado ao partido, muito menos à sociedade. Foi à oportunidade que tivemos para apresentar ao país, um documento sério, denso e bem discutido; com o modelo de país, de sociedade que defendemos. Mas deixamos escapar.
Existe hoje, no seio do nosso partido, a falta de interesse em debater a realidade concreta e a percepção dessa realidade, envolvendo os agentes diretos e indiretos da luta social, o que nos leva a uma dissociação entre o discurso político e os meios e modos de intervenção dos quadros partidários na realidade social e política local. O PPS passou a ser uma organização sem ressonância na sociedade. Não apontamos soluções, não nos apresentamos à sociedade como protagonista de uma transformação política e de vanguarda para o país. Estamos a reboque de outros projetos.
Discutir rumos
Devemos reforçar nossos objetivos maiores: a questão ética, a liberdade, a igualdade, a inclusão social e o respeito à coisa pública, pois são valores que não abrimos mão. Outro valor, ou melhor, conceito de que não devemos abrir mão é o de ser instrumento de renovação da esquerda brasileira. Nos preparamos, desde 1992, para ser expoente de uma nova concepção de esquerda. Para ser a nova esquerda. Para superar preconceitos e formas equivocadas de fazer política e apontar novos rumos. O PPS é transição e continuidade do bom ideário do PCB.
E por conta dessa "bom ideário", não podemos esquecer a capacidade de dialogar com todas as forças democráticas, progressistas no cenário nacional. Não quero alinhamento automático com esta ou àquela força. Quero sim, restaurar a capacidade do diálogo com todas as pessoas de bem, que tenham o pensamento igual ou não ao nosso. Quero convivência tranqüila, democrática e respeitosa, interna e externamente, que sempre mantivemos. Vamos fazer a crítica à esquerda pela esquerda.
Jorge Rocha Junior. - Militante do PPS, foi membro da juventude do partido, dos diretórios municipal do Paulista/PE e estadual de Pernambuco. Ex-vereador por Paulista/PE.